domingo, 27 de setembro de 2009

Presa em meu corpo



Vivo em um mundo onde a morte de uma pessoa significa nada, o que as pessoas fazem significa nada, o sofrimento alheio significa nada. Sempre pensamos antes de fazer qualquer coisa. Ninguém é livre, nada é livre. Nossos desejos não são livres, nossas ações não o são. Estamos todos presos à sociedade, às nossas famílias, alguns até mesmo presos em seus próprios corpos.

Para isso me convém o eu-imaginário, para fazer as sandices que jamais faria enquanto eu-verdadeiro. Normalmente ele se manifesta em meus sonhos. Quando percebo que estou sonhando torno-me outra pessoa. Afinal, estou em um mundo aparte e o que faço nesse meu mundo particular ninguém precisa saber, logo, não preciso me preocupar com as conseqüências, por conseguinte, sou livre.

Mas a felicidade de pobre dura pouco, assim como a felicidade de meu eu-imaginário na utopia dos sonhos também. É como se ao perceber que estou sonhando sou arrancada de meu mundo extraordinariamente singular e minuciosamente preparado por meu inconsciente para o meu eu-imaginário para ser levada de volta ao calor de minha cama, esta que está fixada no universo compartilhado pelas outras pessoas-verdadeiras que se lembrarão de minhas insanidades. Espaço este imperado por tudo que é proibido em minha ilusão.

Mesmo estando presa em meu corpo, assevero estar livre pelo eu imaginário.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

"Erguer a cortina e passar para o outro lado é tudo! Por que hesitar e ter medo? É porque se ignora o que esta do outro lado, e porque não há caminho de volta? E também porque é prório do nosso espírito imaginar confusão e trevas ali onde nao sabemos ao certo o que haverá?" Goethe

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Life

Um homem se vê, um dia, diante de um túnel muito extenso, com ar rarefeito e iluminação precária.
Ele entra a pé, pois seu carro acabara de quebrar. Seu primeiro passo foi como pé direito para ver trazia-lhe alguma sorte a fim de que sua passagem pelo túnel fosse tranqüila.
Ele anda. Estranha o ambiente, mas não desanima ainda. Conforme avança em sua jornada através do túnel, começa a sentir os efeitos do ar rarefeito. Depois de um tempo, sente-se sufocado por um medo claustrofóbico da qual não tinha conhecimento até então. Os carros passam rapidamente por ele como se não o notassem. Quis saber a hora, ao olhar o visor do relógio, percebe que esta marcando a mesma hora de 15 minutos atrás, talvez 30, quem sabe 2 horas? Ele não tinha certeza, perdera a noção de tempo e espaço. As paredes se estreitavam e o túnel parecia não ter fim.
De repente, um vento muito forte sopra empurrando-o direto em direção da parede. Ele perde o equilíbrio, mas mantêm-se firme segurando no corrimão enferrujado. O vento não cessa. Não suportando mais segurar, resolve deixar que o vento o leve. No início teve sucesso em sua escolha, pois a mesma facilitou sua difícil caminhada. Porém,quando estava regozijando a tranqüilidade trazida pelo vento, que fazia-o flutuar criando uma atmosfera agradável, dirigi-se a uma parede e choca seu cansado corpo com força contra a mesma e logo cai, fazendo ecoar pelo túnel o ruído emitido pelo encontro do corpo com o chão.
Apesar de tudo, não perdera a consciência. E sabia o que precisava fazer e como fazê-lo. Então, o executou. Percebeu que o túnel dobrava para a esquerda. Continuou incansável em seu percurso. Quando finalmente vê uma luz. O túnel chegava ao fim. E nosso personagem manteve o controle e graças a isso, conseguiu passar pelo túnel.

domingo, 2 de agosto de 2009

Paz

(é uma piada, o poema, não a paz)
A morte pode ser
Triste
Rápida
Desejada
Inesperada
Dolorida
E pode ser tranqüila.
Você pode morrer dormindo
Ou sua morte pode ser esperada
E por isso não haverá o desespero de uma morte agonizante
Ou pode chegar depois de um poema
“Pensamento gentil de amor eterno
Amiga morte vem”
E ela veio.