Vivo em um mundo onde a morte de uma pessoa significa nada, o que as pessoas fazem significa nada, o sofrimento alheio significa nada. Sempre pensamos antes de fazer qualquer coisa. Ninguém é livre, nada é livre. Nossos desejos não são livres, nossas ações não o são. Estamos todos presos à sociedade, às nossas famílias, alguns até mesmo presos em seus próprios corpos.
Para isso me convém o eu-imaginário, para fazer as sandices que jamais faria enquanto eu-verdadeiro. Normalmente ele se manifesta em meus sonhos. Quando percebo que estou sonhando torno-me outra pessoa. Afinal, estou em um mundo aparte e o que faço nesse meu mundo particular ninguém precisa saber, logo, não preciso me preocupar com as conseqüências, por conseguinte, sou livre.
Mas a felicidade de pobre dura pouco, assim como a felicidade de meu eu-imaginário na utopia dos sonhos também. É como se ao perceber que estou sonhando sou arrancada de meu mundo extraordinariamente singular e minuciosamente preparado por meu inconsciente para o meu eu-imaginário para ser levada de volta ao calor de minha cama, esta que está fixada no universo compartilhado pelas outras pessoas-verdadeiras que se lembrarão de minhas insanidades. Espaço este imperado por tudo que é proibido em minha ilusão.
Mesmo estando presa em meu corpo, assevero estar livre pelo eu imaginário.